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A verdade
21Mar2008 01:17:00

Em nada me fere a distância. E a saudade em nada.

Porque eu meço o tempo é com poesia

E o globo imenso é só estrada de chão,

Como as estradas de Minas

Por onde caminham minhas palavras, descalças,

À procura do exílio, vales do norte

Onde moram a música verdadeira,

O verdadeiro trabalho, a inocência verdadeira

E a verdade...

Eu só queria amar o céu de Minas,

E o homem que nunca chega.

E ser azul se o céu se deixasse amar

E mulher, se o homem chegasse...

Edi
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Se eu fosse uma feiticeira...
21Mar2008 01:07:00

Se eu fosse uma feiticeira, amor,

Converteria o desprezo teu

Em furioso desejo

Que te faria abalar o globo

À minha procura;

Em tua boca

Eu sopraria um encantamento

E nela brotaria o mel

Capaz de extinguir a dor voraz,

A sede trágica

Que me vela os dias;

Envenenaria teus olhos,

Filhos do sol,

Para que não me ferissem mais

E deles saltaria

O luzir gozoso do teu amor;

Transformaria a quietude do breu

Em mágicas noites

De frenéticos movimentos

E depois eu me tornaria

Nuvem macia

Onde tu te deitarias

Exausto, taquicárdico,

Homem pleno, vencido.

E tua alma

Soluçaria dentro de ti

Lamentando o tempo perdido...

Edi
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Como num conto de fadas
20Mar2008 23:54:00

Como dorme

Uma lágrima

No berço morno

Da aflição contida,

Assim também

Repousa um sorriso,

Tímida expressão

Que não aflora,

À espera,

Num prolongado

Silêncio,

Da luz preciosa

Que dará fim

À noite

E que fará despertar,

Como num conto de fadas,

Minh’alma adormecida...

Edi
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Extrema unção
29Fev2008 01:46:00

Amo.

Porque ao coração apunhalado,

Em ferida aberta,

Não existe o imperdoável.

Meu amor se apóia na injúria

E no desprezo atroz

Para sustentar a graça inextinguível

Da esperança.

Amo.

Porque ao coração flagelado,

Em chaga viva,

Não vinga a bruta pena do esquecimento.

Meu amor, envolto em vida e verdade,

Me concede a glória dos poetas,

A perseverança dos sábios,

A compreensão dos santos

E a certeza dos convictos.

Amo.

Porque ao coração lacerado

Por tão divina dor

Não existe analgesia,

Todo o momento é o derradeiro

E nem mesmo a morte silencia.

Edi
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Eterno amor (I)
29Fev2008 01:38:00

Juntos estaremos

Quando à nossa porta

O tempo bater, intransigente.

Estaremos um no outro alicerçados

Quando nos cair noite infinita

E juntos dormiremos...

Sim, seremos puros ainda

E entrelaçados morreremos.

Dançaremos nas estrelas,

Nus como anjos,

Cantando à morte e à felicidade

E na escuridão do paraíso nos amaremos,

Assombrando a eternidade.

Edi
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Anjo...
29Fev2008 01:31:00

Aconteceu em uma noite doce,

Meu coração não esquece:

Deparei-me atordoada

Com tua imagem etérea

E não eras sonho.

Anjo encarnado em poeta,

A ti abri a porta

E encheste de aves risonhas

A imensidão do meu céu.

Nobre e sábio,

De puros anseios,

De ternas palavras,

Tuas brancas asas

Põem suavidades de nuvens

No que quer que toquem.

Que venhas sempre, anjo,

Inda que debilitado,

Lânguido, abatido,

Extenuado ou fraco,

Inundar de inefável poesia

Minha meia-noite.

E ocuparemos, nós dois,

O mesmo lugar no espaço.

E seremos, anjo,

Na noite escura,

Um só relevo...


Edi


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Dignidade
18Fev2008 20:26:00

Por ti definho, murcho,

Ardo em saudade,

Em dor que não cessa.

Busco teus sinais

Na escuridão que me envolve,

Na luz que não vejo,

Na voz que não ouço

E penso a morte...

Vejo-te por um momento breve

E me escapa um oi quase mudo

Quando o que eu queria era ignorar-te.

Por ti calo em mim

O brio que não tenho,

O orgulho que me humilha,

A palavra que me enclausura

Dentro do nada.

Por ti fecho os meus olhos cansados

E presto-me a mais uma noite insone,

Onde beberei o veneno do amor próprio

E a angústia da dignidade.

Edi

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