| SONETO PARA MIM |
03Abr2009 01:20:00 |
| Publicado por: Edi |
Não, Edi, seu soneto assim não fala.
São letras no papel, mas nada mais,
Nem mesmo as rimas bêbadas de ais
Conseguem dizer o que você cala.
Os seus versos são dores bem reais
Mas mudo é o amor que os embala.
Não há ninguém que queira escutá-la
Enquanto canta seus dias banais.
O homem que você tanto venera
É feito de armamento e miragem
E nunca entendeu a Primavera.
Não Edi, nunca mais estarão juntos!
Criaram muito bem a linguagem,
Foi pena se morreram os assuntos.
Edi
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| Queres dançar comigo, amor? |
03Abr2009 01:20:00 |
| Publicado por: Edi |
Aconchegar-me-ei em ti
Como se fosses o primeiro
E tu em mim te enroscarás
Como se a última eu fosse...
E nosso desejo o que será?
Bocas que se engalfinharão
Em busca e oferta,
Línguas que se moverão à fome
E que se devorarão
Na umidade
Da paixão sem freio...
Minha pele ferida
De barba e volúpia,
Será seda branca
Por onde te escorrerás
Em mãos, em lábios,
Em urgências incontidas...
Nossos corpos serão perdidos,
Serão mulher e homem,
Enclausurados nas voltas
Rítmicas da nossa procura...
Nunca mais nos saberemos dois,
Porque na coreografia sensual
Do nosso ventre em chamas,
Tu não mais poderá ter-te
E eu não serei
Senão em ti...
Queres dançar comigo, amor?
Edi
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| A PAIXÃO |
16Mar2009 14:50:00 |
| Publicado por: Edi |
A paixão é um truque do mal
Que faz contemplar tulipas silvestres
Onde há só espinhos e cercas,
Que faz de endereços tão claros
Longos mapas indecifráveis.
Que fantasia mentiras de juras eternas,
Que converte o abuso em caridade,
A dor em redenção,
Em fio de mel a gota de sangue.
A paixão é um conteúdo do nada,
Porque em si coisa alguma de real concentra
E quem a ela se vende
(e por quanto!)
Só encontra desencontros,
Fúria de tempestades no paraíso,
Névoa volátil como alicerce
E começo cheirando a fim.
Edi
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| ENFIM |
16Mar2009 14:40:00 |
| Publicado por: Edi |
Na noite densa de mim
Às sombras que formam teu vulto
Faço alarde, prevejo o fim.
São mortos os dias de luto.
Eis que à luz os olhos abro
E um novo céu no claro dia
Entorna em ti, amor macabro,
De esquecimento, hemorragia.
Enfim, penso e não estás,
Acordo e não chegarás,
Caminham as horas sem ti.
Enfim, canto em soprano
Estribilhos ao meu engano,
Sustenidos que nunca ouvi.
Edi
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| Vê? |
16Mar2009 14:30:00 |
| Publicado por: Edi |
Vê os males violentos
Que emperram nossos olhos,
Que não põem fim à noite,
Que sobrecarregam de fardos
Os ombros do dia seguinte?
Vê que apanhamos da gente,
Vê a inutilidade das coisas
E defronte o dedo que indica?
E o nosso viver em curso,
Vigiado por sentinelas, vê?
Respire a calma do ontem passado
E procure dormir
Posto que a vida
Não passa de um ato
E não há público pagante
Com pedidos de bis.
Vê?
Edi
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| O torpor que precede o suicídio |
15Out2008 16:20:00 |
| Publicado por: Edi |
Uma alma se agitando
Dentro de corpo quieto.
Uma boca de veneno manchada.
Um não, contido.
Um incêndio no sangue.
Um beijo insalubre.
Uma réstia de sombra na luz.
Uma gota branca, de ópio.
Uma noite derretida.
Um passado esquecendo o futuro.
Um olhar da cor de um luar.
Um verbo que despreza o ato.
Um copo d’água.
Uma droga de amor.
Uma fruta, a do pecado.
Um homem com medo de ser amado.
Uma mulher que se arrepende da vida.
Uma sinestesia prolongada.
Um bloqueio.
Uma melodia de silêncio,
Semi-tonada.
E uma alma se agitando
Dentro de um corpo quieto.
Edi
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