
Um olhar é o que me basta
Para que sinta suas mãos viris
A percorrer meus caminhos tão íntimos,
Sem pressa, como se não me soubessem
A meio passo do torpor...
Posso sentir romper-se
O contato com o discernimento,
Enquanto os corpos, afinados,
Perdem a dimensão de si mesmos e,
Bárbaros, ávidos, indóceis,
Consumam a ganância indiscreta,
Faminta, despudorada.
As bocas a si devoram,
Num suplício frenético
Ao qual não podemos pôr fim.
Ausentes de nós, um no outro,
Movidos por estremecimentos
De uma dor ao avesso,
Sussurramos, sem escrúpulos,
Sons confusos de um prazer latejante
Que é incapaz de suportar o próprio nome...
Edi
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