Sim, magras flores
Feitas de medo
Hão de sofrer a primavera
E há de florir em meus olhos
Um jardim de veludo
Nas horas silenciosas
Que me secam os sonhos...
Haverá para mim
Estrelas recém-nascidas
Na oca manhã que me abraça.
Minhas dores serão poeira fina
E no céu se espalharão,
No céu aromático e desidratado
Da minha cidade...
Serei soprano em canto solo
Flutuando na nua catedral
E terei nas mãos
As mãos pálidas do meu amado,
Doce homem que não me espera,
Que não crê em dias dourados,
Que fala a linguagem dos mutilados
Enquanto sorvo meu sangue adocicado,
Vinho sujo de minha esperança,
Que por ele tenho derramado!
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