 A respeito do que sobrou de mim
De pouca valia é falar.
Se é ínfimo o produto do resto
De que me vale classificar?
E que nome se daria às sobras,
Às quais sequer se examina?
A mim, que me poupo esforços,
Me desarticulo em segmentos
Para não incomodar
Ao que faltou à fé jurada,
Porque fui demais inteira.
Pisar com segurança em nuvens
Sei, já não posso.
Quanto peso, ai, que me carrega!
Para extirpar o ingovernável
De que se armar?
Que acordos de guerra
Porão fim à imundície?
Oh! Imitação histérica de existir!
Oh! Sacrifício expiatório!
Oh! Literatura mortuária!
De saber que nunca fui amada
Escrevo com sangue
A última edição do amor.
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