O breu da sua ausência
Instala a noite
Em minh’alma,
Como uma mão gigante
A me tomar os olhos,
Mil vozes dizendo a distância,
Gritando a incerteza
Que ecoa em meu quarto,
Ampliadas pela solidão
Com que me cubro
Esperando você...
As horas, suspensas,
Fazem eterna a escuridão
E eu chamo seu nome,
Luz que sussurro,
E sorriem de mim as paredes,
Os lençóis frios,
Meu corpo insone
Em febre e tormento.
Mas......
No silêncio negro
Que inventa o tempo
Eu sinto seu toque,
Bálsamo extremo,
Sinto seus lábios
Dando fim à dor
De minha pele
E o ouço dizer
Por todo o meu corpo:
“Minha linda...”