Se eu fosse uma feiticeira, amor,
Converteria o desprezo teu
Em furioso desejo
Que te faria abalar o globo
À minha procura;
Em tua boca
Eu sopraria um encantamento
E nela brotaria o mel
Capaz de extinguir a dor voraz,
A sede trágica
Que me vela os dias;
Envenenaria teus olhos,
Filhos do sol,
Para que não me ferissem mais
E deles saltaria
O luzir gozoso do teu amor;
Transformaria a quietude do breu
Em mágicas noites
De frenéticos movimentos
E depois eu me tornaria
Nuvem macia
Onde tu te deitarias
Exausto, taquicárdico,
Homem pleno, vencido.
E tua alma
Soluçaria dentro de ti
Lamentando o tempo perdido...