É esse mundo mesmo o que detesto, o que me tem e o
que me toma de mim e que ao me dar é tudo e é o tudo
que me vem cobrar. Detesto o mundo de maneira igual
à maneira de detestar tudo que há no mundo, que é quase
maneira de abominar as ponderações sem nexo e é por
isso mesmo que o detesto. Acorrentem o mundo e arranquem-lhe
a falas pesadas e mutilem o pesado corpo do mundo e não
me deixem ver. Decepem as mil cabeças do mundo e deixem
respingar o sangue do mundo em meus pés enquanto eu lavo
as minhas mãos e não vejo no mundo nenhum pecado.
Tomem vocês o mundo e o crucifiquem que num guardanapo
de linho cru eu imprimo minhas digitais e depois do último
e consumado suspiro do mundo sobram-me nas mãos os pregos,
nada mais. E minha cruz é o espelho onde contemplo
o sorriso podre de um Barrabás.
Edi
|