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Labirinto
23Jun2008 16:04:45
Escrito por: Edi

No labirinto do desejo,

No desvio da paixão,

Na imprecisão do amor.

Aí repousam meus medos

E espiam por dentro de mim.

Sofro como hábito cego

E a dor a mim se adere

Como o escuro à noite triste.

No delírio de um corpo em chamas

Respiro o temporal que me devassa,

Sonhado uma boca que me bebe

Como a um vinho

Vertido em um gral de fogo.

Sofro o futuro,

O que não se consuma,

A mão que tateia à luz

O segredo desenhado.

Faço-me vítima impecável

Da desarmonia,

Um corpo só, imaculado,

Sem mãos quaisquer que o toquem,

Sem mera ânsia vã que se sacie.

Atravesso a noite

Como a um abismo,

Imaginando o que não fiz,

Perpetuando na carne

As seqüelas do desprezo,

Almejando de soslaio a vida.

No labirinto de um querer polimorfo

Eu fundamento o lusco fusco

Do amor mentira.

Na estase de mim

Converto a volúpia

E recupero, na inconsciência,

A certeza da interrogação.

Edi



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