No labirinto do desejo,
No desvio da paixão,
Na imprecisão do amor.
Aí repousam meus medos
E espiam por dentro de mim.
Sofro como hábito cego
E a dor a mim se adere
Como o escuro à noite triste.
No delírio de um corpo em chamas
Respiro o temporal que me devassa,
Sonhado uma boca que me bebe
Como a um vinho
Vertido em um gral de fogo.
Sofro o futuro,
O que não se consuma,
A mão que tateia à luz
O segredo desenhado.
Faço-me vítima impecável
Da desarmonia,
Um corpo só, imaculado,
Sem mãos quaisquer que o toquem,
Sem mera ânsia vã que se sacie.
Atravesso a noite
Como a um abismo,
Imaginando o que não fiz,
Perpetuando na carne
As seqüelas do desprezo,
Almejando de soslaio a vida.
No labirinto de um querer polimorfo
Eu fundamento o lusco fusco
Do amor mentira.
Na estase de mim
Converto a volúpia
E recupero, na inconsciência,
A certeza da interrogação.
Edi
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