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Extrema unção
29Fev2008 01:40:00
Publicado por: Edi

Amo.

Porque ao coração apunhalado,

Em ferida aberta,

Não existe o imperdoável.

Meu amor se apóia na injúria

E no desprezo atroz

Para sustentar a graça inextinguível

Da esperança.

Amo.

Porque ao coração flagelado,

Em chaga viva,

Não vinga a bruta pena do esquecimento.

Meu amor, envolto em vida e verdade,

Me concede a glória dos poetas,

A perseverança dos sábios,

A compreensão dos santos

E a certeza dos convictos.

Amo.

Porque ao coração lacerado

Por tão divina dor

Não existe analgesia,

Todo o momento é o derradeiro

E nem mesmo a morte silencia.

Edi


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Anjo...
29Fev2008 01:30:00
Publicado por: Edi

Aconteceu em uma noite doce,

Meu coração não esquece:

Deparei-me atordoada

Com tua imagem etérea

E não eras sonho.

Anjo encarnado em poeta,

A ti abri a porta

E encheste de aves risonhas

A imensidão do meu céu.

Nobre e sábio,

De puros anseios,

De ternas palavras,

Tuas brancas asas

Põem suavidades de nuvens

No que quer que toquem.

Que venhas sempre, anjo,

Inda que debilitado,

Lânguido, abatido,

Extenuado ou fraco,

Inundar de inefável poesia

Minha meia-noite.

E ocuparemos, nós dois,

O mesmo lugar no espaço.

E seremos, anjo,

Na noite escura,

Um só relevo...


Edi




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Eterno amor (I)
29Fev2008 01:30:00
Publicado por: Edi

Juntos estaremos

Quando à nossa porta

O tempo bater, intransigente.

Estaremos um no outro alicerçados

Quando nos cair noite infinita

E juntos dormiremos...

Sim, seremos puros ainda

E entrelaçados morreremos.

Dançaremos nas estrelas,

Nus como anjos,

Cantando à morte e à felicidade

E na escuridão do paraíso nos amaremos,

Assombrando a eternidade.

 

Edi


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Dignidade
18Fev2008 20:20:00
Publicado por: Edi

Por ti definho, murcho,

Ardo em saudade,

Em dor que não cessa.

Busco teus sinais

Na escuridão que me envolve,

Na luz que não vejo,

Na voz que não ouço

E penso a morte...

Vejo-te por um momento breve

E me escapa um oi quase mudo

Quando o que eu queria era ignorar-te.

Por ti calo em mim

O brio que não tenho,

O orgulho que me humilha,

A palavra que me enclausura

Dentro do nada.

Por ti fecho os meus olhos cansados

E presto-me a mais uma noite insone,

Onde beberei o veneno do amor próprio

E a angústia da dignidade.

 

Edi



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Vida, vida...
18Fev2008 20:10:00
Publicado por: Edi

Doce vida que me passa,

Não posso ter-te por inteiro,

É desilusão que me abraça.


 

Tenho em mim coração primeiro

De anseio, medo, insegurança,

Conteúdo talvez o derradeiro.


 

Vejo-te e sonho esperança,

Presa eterna de falso amor

Tenho fel só, na lembrança.


 

Turva a vista a minha dor,

Nada há que possa ver

Senão do passado o amargor.


 

Como vida, a ti viver

Se longe de mim o amar

E perto, em verbo, o sofrer?


 

Morro há tempos sem chorar,

Vitimada por negra ilusão

Que te impede de viçar.


 

Retenho de ti a escuridão,

Pobre alma minha, anormal,

Branco fantasma da solidão.


 

Minha boca te prova o sal,

É o mel que tens para mim.

Justo prêmio, o saldo, esse mal.


 

Doce vida, onde teu fim?

Onde me abraçará a morte?

Em que lábio mora teu sim?


 

Tanto não em minha sorte!

Tanto sangue meu derramado!

Tão profundo, vida, teu corte!


 

És poema meu, malogrado.

Que conta mudo uma história,

Uma vida, um passado...


 

Edi



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Meu corpo sem o teu
18Fev2008 20:00:00
Publicado por: Edi

Meu corpo sem o teu

É um resíduo de alma,

Descolorido, imanifesto, assexuado.

É simulação de sobrevivência,

Um estouvamento,

Um desperdício de ar, respirar sem ti...

Meu corpo sem o teu

É aderência cega à vida,

Ao mundo, à beleza alada da existência.

Um despropósito lívido, vaidoso e oco.

É um espécime abundante do nada,

Embriagado de razões,

De parênteses, de interrogações.

Nivelado à linha da nossa história, deplorado.

Contido por amarras da memória,

Depois de mal acompanhado, só!

Toda a graça, meu corpo sem o teu,

É uma farsa!

 

Edi



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Condenação
13Fev2008 19:00:00
Publicado por: Edi

Quero dissecar o teu íntimo,

Investigar tuas dores,

Com olhar minucioso saber

Se és água ou se és sede,

Se convés ou porão,

Mas ou navio,

Amor ou perdição.

Quero especular tua vida,

Interrogar teus princípios,

Desmascarar teu orgulho.

Quero identificar teus pecados

E ao julgar-te culpado,

Enclausurado em meu peito

Expiarás teus delitos

E meu corpo, cela fria,

Será tua pena perpétua,

Onde te calarei os gritos...

Edi


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