Menu

Leitura

Blogs Amigos

Novas



Labirinto
23Jun2008 16:00:00
Publicado por: Edi

                                           

   No labirinto do desejo,

   No desvio da paixão,

Na imprecisão do amor.

Aí repousam meus medos

E espiam por dentro de mim.

Sofro como hábito cego

E a dor a mim se adere

Como o escuro à noite triste.

No delírio de um corpo em chamas

Respiro o temporal que me devassa,

Sonhado uma boca que me bebe

Como a um vinho

Vertido em um gral de fogo.

Sofro o futuro,

O que não se consuma,

A mão que tateia à luz

O segredo desenhado.

Faço-me vítima impecável

Da desarmonia,

Um corpo só, imaculado,

Sem mãos quaisquer que o toquem,

Sem mera ânsia vã que se sacie.

Atravesso a noite

Como a um abismo,

Imaginando o que não fiz,

Perpetuando na carne

As seqüelas do desprezo,

Almejando de soslaio a vida.

No labirinto de um querer polimorfo

Eu fundamento o lusco fusco

Do amor mentira.

Na estase de mim

Converto a volúpia

E recupero, na inconsciência,

A certeza da interrogação.

Edi

 

 



Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (874)

um pensamento
23Jun2008 15:50:00
Publicado por: Edi

 

Um mundo melhor.

Existe.

Pertence aos raros,

Aos justos,

Aos que nunca lhe reclamarão a posse.

Os verdadeiros donos do mundo

Muitas vezes não têm sequer

Onde se encostar para admirar-lhe a beleza,

Mas não choram.

Choremos nós que nada temos.

 

Edi



Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (837)

O mundo que eu detesto
23Jun2008 15:40:00
Publicado por: Edi

 

É esse mundo mesmo o que detesto, o que me tem e o

que me toma de mim e que ao me dar é tudo e é o tudo

que me vem cobrar. Detesto o mundo de maneira igual

à maneira de detestar tudo que há no mundo, que é quase

maneira de abominar as ponderações sem nexo e é por

isso mesmo que o detesto. Acorrentem o mundo e arranquem-lhe

a falas pesadas e mutilem o pesado corpo do mundo e não

me deixem ver. Decepem as mil cabeças do mundo e deixem

respingar o sangue do mundo em meus pés enquanto eu lavo

as  minhas mãos e não vejo no mundo nenhum pecado.

Tomem vocês o mundo e o crucifiquem que num guardanapo

de linho cru eu imprimo minhas digitais e depois do último

e consumado suspiro do mundo sobram-me nas mãos os pregos,

nada mais. E minha cruz é o espelho onde contemplo

o sorriso podre de um Barrabás.

 

Edi

 



Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (839)


1 a 3 de 3 Primeiro | Anterior | Seguinte | Último |