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Amor assassino
10Jul2008 21:00:00
Publicado por: Edi

 

Me matas hoje com tua ausência

E até com beijos me mataste um dia.

Em teus atos sustentas esse amor assassino,

Vil abraço, apertado e impune.

Me matas porque é só o que sabes:

Retirar-me o sopro da fria vida

Que só me é dado ao ouvir teu nome,

Porque o resto é sepulcral silêncio.

Me matas em alma e corpo,

E eu sempre retorno,

Aos pedaços do inferno,

Para esperar que me mates de novo.

 Edi



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À Rosa, minha mãe
10Jul2008 20:50:00
Publicado por: Edi

Singular em qualquer gesto,
Divina e soberana
És inabalável,
Mesmo em corpo carnal e limitado.
Ofereces a ingratos o teu beijo doce,
Ocultando freqüentemente o gosto amargo
Dos desapontamentos que carregas.
Teu sofrimento secreto
É companheiro em noites insones,
Mas não pedes a Deus fardos mais leves.
Vigias em oração por filhos amados
Para nada em troca receber.
És mãe de corajosa esperança
Mesmo quando nada mais resta,
Quando afundam teu barco em rios turbulentos,
Em mares de tamanho assustador.
Esqueces teus sonhos tão adiados
Para ser bálsamo milagroso
A uma dor que não é tua
Mas que te fere com violência.
Para corrigir filhos desajustados
Tu dizes que farás o que nunca vais fazer,
Prometes castigos que nunca empregarás,
Porque em ti só habita o bem e o reconforto,
Não sendo capaz de vingança
Ou de ressentimento.
Com freqüência, vês o amor que espalhas
Convertido e envenenado,
Desprezado em teu próprio lar,
Ainda inacabado.
Nada fazes senão justificar a ingratidão filial
Com argumentos que reservas
Para situações lamentáveis.
És capaz até de punir a ti mesma
Para preservar imprudentes filhos.
Fizeste, mãe, do teu mundo,
Um sofrer que é sem fim,
Porque tomas para ti culpas e dores
Que só confessas em oração.
És o significado absoluto da vida,
A identidade perfeita do amor.
O pranto santo que te molha a face,
Qual chuva quente em terreno frágil,
É divino amor que em ti transborda.
Alegra, mãe, teu coração profundo.
Reconforta teu rosto triste,
Porque Deus soletra teu nome na amplidão
E redecora o paraíso
De amor, triunfo e glória,
Para ti, mãe adorada.
E prepara um vento doce, terno,
Que virá descansar teu corpo...




Para ti, Rosa, Rosinha, mãe de mim e de meus filhos, e dos filhos que eles hão de ter, escrevi isso há tempos, mas é moderno, porque você, mãe, é só o que de verdadeiro existe em mim. E o meu amor, em umidade escrito, de lágrimas molhado, nunca haverá de encontrar palavra alguma que aos outros possa significar você.
Amo-te mãe, e é só o que me basta!
Não me chores, mãe!
Ainda vivo, por ti, linda flor, que os outros chamam Rosa, e eu chamo... Amor!

 

Edi



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Soneto ao meu amor
10Jul2008 02:20:00
Publicado por: Edi

 

Pode o adeus dizer não mil vezes

E o olhar carente enxergar vazio,

Ainda assim a afeição de meses

Não morre mar, como morre um rio.

 

 

Um amor real, se merece o nome,

Cresce intacto enquanto se consome

E invejando os fortes, resiste.

 

Pode vitimar-se por vil traição,

Agonizar num lamaçal de dores,

Ainda assim traduzirá perdão

E pagará espinhos com flores.

 

Um amor real não se finda triste,

Nunca abandona seu nome à sorte.

Como o mar a si bastará, até a morte.

 Edi



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CORPOS
10Jul2008 02:10:00
Publicado por: Edi

 

Um olhar é o que me basta

Para que sinta suas mãos viris

A percorrer meus caminhos tão íntimos,

Sem pressa, como se não me soubessem

A meio passo do torpor...

Posso sentir romper-se

O contato com o discernimento,

Enquanto os corpos, afinados,

Perdem a dimensão de si mesmos e,

Bárbaros, ávidos, indóceis,

Consumam a ganância indiscreta,

Faminta, despudorada.

As bocas a si devoram,

Num suplício frenético

Ao qual não podemos pôr fim.

Ausentes de nós, um no outro,

Movidos por estremecimentos

De uma dor ao avesso,

Sussurramos, sem escrúpulos,

Sons confusos de um prazer latejante

Que é incapaz de suportar o próprio nome...

 

 

Edi

 



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Castidade
10Jul2008 01:20:00
Publicado por: Edi

         Castidade é ter lábios

         e mãos

         e ventre em chamas

         e sentidos alucinados

         e lençóis perfumados de espera

         e tremor lancinante de desejo

         flagelados pela ausência tua...

 

Edi



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