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O torpor que precede o suicídio
15Out2008 16:20:00
Publicado por: Edi

Uma alma se agitando

Dentro de corpo quieto.

Uma boca de veneno manchada.

Um não, contido.

Um incêndio no sangue.

Um beijo insalubre.

Uma réstia de sombra na luz.

Uma gota branca, de ópio.

Uma noite derretida.

Um passado esquecendo o futuro.

Um olhar da cor de um luar.

Um verbo que despreza o ato.

Um copo d’água.

Uma droga de amor.

Uma fruta, a do pecado.

Um homem com medo de ser amado.

Uma mulher que se arrepende da vida.

Uma sinestesia prolongada.

Um bloqueio.

Uma melodia de silêncio,

Semi-tonada.

E uma alma se agitando

Dentro de um corpo quieto.

 

Edi

 



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Eu não sei de nada...
15Out2008 16:10:00
Publicado por: Edi

Não sei de quantas saudades

Um adeus é feito

Nem dizer com quantos nãos

Se faz um talvez.

Não sei se o fim

É no meio que se inicia

E nem sei ser tempo,

Eu não passo com as horas.

Eu não sei amar

Porque nuca fui amada

E não sabendo de amor

Eu não sei de nada.

Tenho um arsenal de palavras,

Como a rosa que de espinhos se arma

Mas não tenho dela a beleza

E meu perfume é o da tristeza,

Não merece nome de olor.

Eu não escrevo poesia,

Só dou tratamento literário à dor.

 

Edi



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Auto Retrato
19Jan2008 21:10:00
Publicado por: Edi





Eu sou princesa

Sem vestido de baile,
Sem madrinha,
Sem escadarias para descer...
Sou moça sem tranças,
Sem sorriso,
À janela de um castelo
Em chamas.
Sou noiva encantada
Sem beijos,
Sem sapato,
Sem príncipe,
Sem sapo...
Sou camponesa adormecida,
Sem flores,
Sem sonhos,
A branca aldeã
Sem espelho,
Sem maçã...
Sou metade infeliz,
Metade triste.
Metade amor,
Metade absurdo.
Porque o que não existe
Sou eu
E está em tudo!


Locação a cargo da amiga "DianaBalis"
www.dianabalis.blogtok.com



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DESEQUILÍBRIO
11Jul2007 16:10:00
Publicado por: Edi





Sentindo as unhas da solidão
Olha a janela e não vê nada de novo
A não ser alguns pingos de chuva
Que, despretenciosos,
Formam lágrimas hesitantes na vidraça.
A espera é uma mão gigante que te cala.

Sem assumir postura alguma,
Permanece vigiando como se tentasse descobrir
Alguma demonstração de sim no não.
Sua covardia lhe deu direito a esse medo
E agora o que você fita, sem relógio,
È o desconhecido, é o desassossego.

A saudade tingiu de cinza seus grandes olhos
E como se fosse uma lenta gestação
Você abriga a amargura delirante.
Seu sonho eterno continua oculto.
Seus gestos não traduzem nada.
A lucidez que era incontestável
Agora é uma amiga distante.
Sua boca inquieta nada diz.
Você ouve vozes.
Como se fosse um gigantesco coral,
Você ouve.
Olha a janela tentando ver no mundo
O essencial oculto em seu interior.
Comprometida com o impasse,
Sua maior ambição é cultivar seu lamento mudo,
Seus desenganos disfarçados.

A grave psicose não te adormece.
Dói mas não sofre
Porque você não é mais a mesma.
Está agora alheia aos resultados.
Seu sentimento já não é réu primário,
Já pecou sem remorso...

Você, emocionalmente vazia,
Reduz a aceleração da rua,
Das pessoas, das coisas.
Quer, da janela,
Espalhar seu desequilíbrio pelo mundo.
O silêncio não é mais desprezo
E sim amor eterno.
Amor maior que o vazio,
Amor que regenera os maus.
Prova o beijo insosso


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