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Soneto ao meu amor
10Jul2008 02:24:54
Escrito por: Edi

Pode o adeus dizer não mil vezes

E o olhar carente enxergar vazio,

Ainda assim a afeição de meses

Não morre mar, como morre um rio.

Um amor real, se merece o nome,

Cresce intacto enquanto se consome

E invejando os fortes, resiste.

Pode vitimar-se por vil traição,

Agonizar num lamaçal de dores,

Ainda assim traduzirá perdão

E pagará espinhos com flores.

Um amor real não se finda triste,

Nunca abandona seu nome à sorte.

Como o mar a si bastará, até a morte.

Edi

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CORPOS
10Jul2008 02:18:13
Escrito por: Edi

Um olhar é o que me basta

Para que sinta suas mãos viris

A percorrer meus caminhos tão íntimos,

Sem pressa, como se não me soubessem

A meio passo do torpor...

Posso sentir romper-se

O contato com o discernimento,

Enquanto os corpos, afinados,

Perdem a dimensão de si mesmos e,

Bárbaros, ávidos, indóceis,

Consumam a ganância indiscreta,

Faminta, despudorada.

As bocas a si devoram,

Num suplício frenético

Ao qual não podemos pôr fim.

Ausentes de nós, um no outro,

Movidos por estremecimentos

De uma dor ao avesso,

Sussurramos, sem escrúpulos,

Sons confusos de um prazer latejante

Que é incapaz de suportar o próprio nome...

Edi

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Castidade
10Jul2008 01:26:55
Escrito por: Edi

Castidade é ter lábios

e mãos

e ventre em chamas

e sentidos alucinados

e lençóis perfumados de espera

e tremor lancinante de desejo

flagelados pela ausência tua...

Edi

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Labirinto
23Jun2008 16:04:45
Escrito por: Edi

No labirinto do desejo,

No desvio da paixão,

Na imprecisão do amor.

Aí repousam meus medos

E espiam por dentro de mim.

Sofro como hábito cego

E a dor a mim se adere

Como o escuro à noite triste.

No delírio de um corpo em chamas

Respiro o temporal que me devassa,

Sonhado uma boca que me bebe

Como a um vinho

Vertido em um gral de fogo.

Sofro o futuro,

O que não se consuma,

A mão que tateia à luz

O segredo desenhado.

Faço-me vítima impecável

Da desarmonia,

Um corpo só, imaculado,

Sem mãos quaisquer que o toquem,

Sem mera ânsia vã que se sacie.

Atravesso a noite

Como a um abismo,

Imaginando o que não fiz,

Perpetuando na carne

As seqüelas do desprezo,

Almejando de soslaio a vida.

No labirinto de um querer polimorfo

Eu fundamento o lusco fusco

Do amor mentira.

Na estase de mim

Converto a volúpia

E recupero, na inconsciência,

A certeza da interrogação.

Edi

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um pensamento
23Jun2008 15:54:42
Escrito por: Edi

Um mundo melhor.

Existe.

Pertence aos raros,

Aos justos,

Aos que nunca lhe reclamarão a posse.

Os verdadeiros donos do mundo

Muitas vezes não têm sequer

Onde se encostar para admirar-lhe a beleza,

Mas não choram.

Choremos nós que nada temos.

Edi

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O mundo que eu detesto
23Jun2008 15:48:53
Escrito por: Edi

É esse mundo mesmo o que detesto, o que me tem e o

que me toma de mim e que ao me dar é tudo e é o tudo

que me vem cobrar. Detesto o mundo de maneira igual

à maneira de detestar tudo que há no mundo, que é quase

maneira de abominar as ponderações sem nexo e é por

isso mesmo que o detesto. Acorrentem o mundo e arranquem-lhe

a falas pesadas e mutilem o pesado corpo do mundo e não

me deixem ver. Decepem as mil cabeças do mundo e deixem

respingar o sangue do mundo em meus pés enquanto eu lavo

as minhas mãos e não vejo no mundo nenhum pecado.

Tomem vocês o mundo e o crucifiquem que num guardanapo

de linho cru eu imprimo minhas digitais e depois do último

e consumado suspiro do mundo sobram-me nas mãos os pregos,

nada mais. E minha cruz é o espelho onde contemplo

o sorriso podre de um Barrabás.

Edi

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Sem volta...
26Mai2008 16:53:00
Escrito por: Edi

Caminho em favor do nada,

Posto que pelo tudo

Já andei

E em nada me tornei...

Vou parar algum dia,

Por sobre o que não sou

E estacionar o que fui

No tudo que se tornou...

Edi
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